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  • Rildo Moraes

Lendas de um Kiraya - Cap. VI - Manaus

Em 17 de fevereiro de 2013, Gil completou 18 anos e seu maior presente foi conseguir um estágio na mesma empresa em que ANA trabalhava – aliás, foi ela que conseguiu isso. O mundo deve ser mesmo cheio de surpresas! ANA era analista de sistemas e responsável por um projeto. Ela conseguiu colocar Gil na sua equipe – afinal, todos aqueles cursos que ele fez não foram em vão. Os dias passaram e ele demonstrava cada vez mais competência e inteligência. Três meses depois e Gil foi contratado como programador. Ninguém sabe do caso dos dois… pelo menos é o que eles acham!

O tempo voa. Seu pai continua o mesmo. Ora bebe e briga, ora não. Já acostumado com isso, Gil sobrevive em meio aos dramas alcoólicos do seu pai. Já estamos em setembro de 2013.

- Uau... Isso é incrível - exclamou ANA quando leu o e-mail do seu chefe. Gente! Parem o que estão fazendo, tenho uma notícia muito boa! Prestem atenção! Aquele projeto em Manaus foi autorizado!!!! Iremos para lá na semana que vem. Vamos mostrar que somos a melhor equipe do melhor sistema informatizado de segurança do mundo!

A equipe vibrou. Todos comemoraram. Será a primeira viagem de toda equipe...Uhuuuu.

Era 16 de setembro, uma segunda-feira. No Aeroporto Internacional de Manaus – Eduardo Gomes, desembarcam a equipe liderada pela ANA: Gil, JAIR e DIANA. JAIR é um homem de meia idade, de cabelo crespo e curto, muito divertido. Era o mais velho da equipe. DIANA é uma moça mais reservada, de cabelos levemente cacheados e compridos. Todos estavam empolgadíssimos e muito alegres.

Pegaram um taxi para o Lion Hotel de Manaus na avenida Sete de Setembro. Após se instalarem, saíram para lanchar. Que calor! Eram 14h no horário local, mas para eles, eram 15h, já que saíram de Braslia às 12h e são 3h de viagem, mas como tem fuso horário de -1h, então, não chegaram as 15h, mas 14h! E chegaram com fome. Mas não se aventuraram a andar muito pela quente e desconhecida cidade. ANA pegou informações no hotel e foram a uma lanchonete próxima. Por exigência dela, voltaram cedo para o hotel, para se apresentarem exatamente as 8h da manhã na empresa Lux Biotecnologia.

Como previamente combinado, os meninos ficaram num apartamento e as meninas em outro. No outro dia, JAIR acordou sonolento, era a ANA ligando no seu apartamento, ela já estava tomando café da manhã.

- “Meu fio”, disse JAIR para Gil, que estava quase acordando devido a ligação telefônica. ANA já ta tomando café e chamando a gente! Sua namoradra é fod*!

Gil arregalou os olhos, fez uma pausa, engoliu a saliva e tentou fazer disso uma brincadeira:


- Eu? namorando a ANA? Tá maluco? Nada a ver eu e ela!

- Tá bom, meu “fio” - respondeu seu amigo com um sorriso de quem não quer discutir o óbvio.


Gil ficou inquieto. Ele sabia que Ana não queria fofocas sobre o namoro deles na empresa. E ficou pensando: “mas eu não falei nada!”. Por fim, se arrumaram e desceram até a área do café. Lá estavam as meninas. Logo todos estavam no saguão do hotel aguardando o Uber que pediram. Chegaram um pouco antes das oito horas. E foi somente às 8h30 se iniciou a reunião. Conduzidos por uma jovem recepcionista, entraram numa sala de reunião ampla, com uma mesa de vidro e cadeiras metálicas com estofamento, havia um quadro branco, projetor de imagens, uma mesinha com notebook, um vaso no canto com uma folhagem verde muito bonita e um ar condicionado bem gelado! Um senhor alto, cabelos curtos, pele levemente avermelhada se aproximou sorrindo. Estava vestido com calça social cinza, sapatos pretos e devidamente engraxados e uma camisa branca com mangas arregaçadas. Usava uma gravata preta, com traços cinzas. Ele se apresentou:

- Bem vindos. Perdoem a demora. Sou o MÁRCIO , diretor-geral da empresa. Este aqui é Taciano , o gerente de informática, ele irá acompanhar o trabalho de você e auxiliar no que for necessário.

Ele era um homem de uns 40 anos, cabelo e barba rala, moreno e muito simpático.

Após as apresentações da equipe de Brasília, feita pela ANA. Começaram a discutir os preparativos do projeto. O senhor MARCIO fazia solicitações que não constavam na proposta do contrato assinado, e ANA teve que ter muito jogo de cintura para poder iniciar o trabalho, tal como foi contratado.

Foi uma reunião breve. Em seguida houve uma reunião na sala do senhor Taciano , onde detalhes técnicos do projeto foram discutidos e definiu-se quem acompanha quem na fase de implementação do sistema de segurança. Outros detalhes técnicos foram acertados.

No horário de almoço o Taciano os convidou para um restaurante muito agradável ( e caro, como achou o Gil - “amanhã não volto aqui” , disse em pensamentos). após o almoço o TACIANO resolveu dar uma volta rápida de carro para apresentar um pouco de Manaus. Passaram próximo ao majestoso Teatro Amazonas que foi inaugurado em 1896 e o impressionante Monumento à Abertura dos Portos às Nações Amigas, feito de mármore, granito e bronze. Inaugurado em 1900.

Não tiveram tempo de sair do carro, pois ANA tinha pressa em começar o trabalho. O período da tarde continuaram as reuniões e discussões. Nos dias posteriores, o trabalho de instalação de programas exigiu muito da equipe de Brasília devido às configurações e às adaptações para aquela região. Havia uma certa tensão no ar. Nada estava fácil. Motivo pelo qual o almoço era sempre rápido e ocorria sempre às 13h e sempre na companhia simpático do TACIANO . Não tinham tempo para passeios, pois sempre voltavam para o hotel entre 21 e 22h.

No almoço do último dia, todos estavam tranquilos, pois tudo estava funcionando bem. O Taciano contava outra estória da floresta quando fez o seguinte comentário:

- Ah vocês devem estar cansados das minhas histórias da floresta, mas também, eu nasci um Eirunepé - uma cidadezinha perdida na floresta!

- Eirunepé???!!! - exclamou Gil - Onde fica isso???

Todos se espantaram com a postura do Gil, pois quase pulou no colo do Taciano . Depois de tantas perguntas, Gil descobriu que existia uma cidade com esse nome no meio da floresta. Era conhecida como Eiru Nepé e agora, como Eirunepé.

“Loucuras do Gil” pensava Ana enquanto voltavam para a empresa.

De volta ao trabalho, Gil aproveitou para verificar na Internet a questão do equinócio. Arregalou os olhos: “É hoje, dia 22 de setembro!!!!! E agora???” Descobriu que havia vôos semanais de Manaus até Tefé, sendo ainda necessária uma conexão até Carauarí e depois até Eirunepé. Entretanto, ele descobriu também que, infelizmente, não havia mais vôos para Tefé naquela semana.

AS 15h estavam se despedindo de todos na empresa. O Márcio e o Taciano estavam satisfeitos. O sistema estava perfeito. Saíram da empresa e foram ao hotel, pois já tinham retorno marcado para Brasília ainda as 18h.

Após arrumarem todas as malas, se dirigiram ao aeroporto. Estavam felizes. Tudo correu como planejado, todos estavam vibrando, exceto Gil pois não lhe saía da cabeça a possibilidade de conhecer Eurinepé.


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