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  • Rildo Moraes

lendas de um Kiraya - Cap. IV - É ele?

A semana fluiu de forma inquieta para o Gil Sábado, 13:35 Gil recebe uma mensagem da Ana: chego em 30 minutos.

E como Ana não é boa em cálculos temporais, chegou quase 1h depois do previsto! Gil já estava lá, sentado no meio fio esperando tranquilamente [4]. Ela estava com um vestidinho florido e os cabelos longos e pretos muito lindos! Ele a recebeu com um lindo sorriso e antes de entregar o CD ela perguntou:


- Bora comer? tô a horas no salão e não comi nada até agora!

Gil fez um meio sorriso.. como está sempre sem grana, preferiu comer em casa e então disse:

- Yes baby! Eu já almocei, mas acompanho você. Bora comer

- To querendo ir num restaurante que tem no Parque da Cidade, pode ser? Faz tempo que quero comer uma Carne de sol bem gotosa.


Gil concordava, mas sua atenção estava no cabelo, nas unhas e na camiseta amarela que ela usava. O cabelo preto sobre o tecido amarelo dava um gostoso contraste de se ver. Seu batom rosado realçava seus lábios. Ela perguntou das novidades e ele mordeu a língua para não falar da foto - essas esquisitices não iam ajudar - assim pensava ele. Por isso, contou vários detalhes da semana, mas nada de fotos com alienígenas ou bruxos!

No restaurante, enquanto aguardavam serem servidos, ele perguntou sobre o trabalho dela e ela se empolgou, contava satisfeita dos problemas e soluções pelas quais passava em seu trabalho. Quando o prato chegou, era um suculento “carne de sol completo” com direito a carne bem passada, arroz, mandioca frita, feijão de corda e queijo coalho, além de um vinagrete. Ela insistiu para que o rapaz a ajudasse - era muita comida, ela dizia - ele se negou mas depois pegou alguns pedaços com o garfo que pediu ao garçom. Sim, ele também estava com fome!

Em seguida, decidiram fazer uma caminha pelo parque. O sol estava gostoso e a brisa suave. Falaram sobre filmes e também a conclusão do ensino médio do Gil - ela ficou muito feliz por ele! Caminhavam em um local comumente pouco movimentado, mas que estranhamente, tinha muita gente. Gil fez uma pausa na conversa e observou um velho que estava mais à frente recolhendo latinhas de refrigerante das lixeiras. O cabelo, os traços...parecia muito com o velho que apareceu na estranha foto do acampamento!

Gil ficou novamente paralisado. Olhos arregalados, boca semiaberta, a pulsação se elevando. Até que o velho olhou para ele e sorriu - sim era ele!!!

- É ele! - gritou Gil enquanto corria em sua direção.

O velho olhou para o Gil e jogou no chão um saquinho de couro que tirou do bolso, em seguida se misturou na multidão. Ana sem entender, correu atrás do Gil, que também desapareceu. Algum tempo depois, ela o encontrou com o saquinho na mão, olhando em todas as direções.

- O que está acontecendo? Quem era aquele velho? - perguntou ela com olhar assustado. Não gosto disso!! parece louco...coisa esquisita!!!

Gil demorou um pouco para responder. Uma mão segurava o saquinho e a outra, coçava a cabeça, como que não acreditando que perdeu ele. Ana se aproximou, pegou o rapaz pelo braço, olhou no seu rosto e disse:

- Que raios está acontecendo aqui? Quem era aquele velho?


Gil olhou para ela e percebeu que deveria contar a verdade ou teria que inventar rapidamente uma desculpa muito boa. Então disse:

- Aquele velho parecia ser o pai de um grande amigo que perdeu contato há muitos anos. - Que papo estranho é esse? Isso é sério? - Aiii…. meu estômago tá doendo. Não tô legal. Pode me levar para casa? Dizia de forma lamuriosa


Ela não gostou, teve a sensação que o Gil é muito moleque e imaturo – afinal, são quatro anos mais novo do que ela. Foram para o carro e ela dirigiu calada enquanto ele fingia dores no estômago.

Já em seu quarto ele fazia o seguinte cálculo: zero no quesito “simpatia com Ana”, mas dez no quesito “estou descobrindo alguma coisa”. Ligou o computador e analisou novamente a imagem e confirmou, o velho que viu no parque era o mesmo da foto. Só então se lembrou do saquinho de couro que o velho jogou propositalmente no chão para ele pegar. Abriu bem devagar. Seu coração batia cada vez mais rápido. havia um papel dobrado. Desdobrou com cuidado...

- Caramba!!! - exclamou Gil.

No bilhete havia o seguinte texto escrito a mão:


Para Dragões Adormecidos

Mateus 10:34 - Mateus 11:12

Eiru Nepé

Segundo equinócio de 2013


Assustado e estranhando muito, ele procurou a Bíblia na internet, não demorou a encontrar e então leu em voz alta a primeira citação (Mateus 10:34): “E disse Jesus: Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada”, achou muito esquisito e leu a segunda citação (Mateus 11:12): “E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os valentes o tomam de assalto”.


Gil ficou chocado com ambas as citações. Notoriamente era um recado para os Dragões Adormecidos.. mas quem ou o que seriam esses dragões? E essas palavras Eiru Nepé, o que significavam? Não via nada disso na internet, mas descobriu o que era equinócio 1 e também que o segundo equinócio de 2013 ocorrerá ainda em 22 de setembro.

Mal acabou de achar isso na internet, tocou seu celular.

- Oi Ana... Sim, estou melhor... Sim, podemos sair amanhã sim....ok. Combinado. Beijos.

Após desligar o celular, sua ansiedade em descobrir mais se acalmou. Deitou pensando nela. Se ela ligou é porque ainda quer algo com ele...mas nada de maluquices. Mais uma noite que prometia ir longe. Só que dessa vez, Gil apagou as luzes antes de deitar!

Domingo foi diferente. Os laços de carinho foram se estreitando. Começaram a namorar e logo os encantos dela fizeram Gil esquecer aquelas histórias esquisitas, bem como as bebedeiras de seu pai. O tempo seguiu seu rumo e, hora e outra, Gil lembrava-se de Eiru Nepé. Mas que raios era aquilo? Lembrava-se também, com saudades, de seu amigo Marcos que se mudou para Campinas, interior de São Paulo, e raramente se falam - aliás ele nem quis saber de mais nada referente à foto! Talvez porque ele se filiou a uma Igreja e achou que aquilo não era de Deus..

O tempo passou… como de praxe, Gil e seu pai foram passar o Natal e Réveillon em Minas, onde tem parentes. Foi um drama para Gil ir, pois queria ficar com ANA, mas sabia que não era estratégico criar um mal estar com seu pai que, estranhamente, está na fase onde bebia menos!


[4] Embora jovem, Gil já sabia esperar, pois a beleza de um mulher requer muitos cuidados e isso demanda tempo.

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