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  • Rildo Moraes

Lendas de um Kiraya - Cap.III - A Suspresa

Assim que o carro sumiu na curva, ele entrou em seu apartamento, passou na cozinha lavou mais dois pratos sujos que faltaram, pegou uma maçã já meio passada e foi para seu quarto.

Trancou a porta como de costume, deitou na cama pensando nela. Ahhh..que linda! Mas ele, na sua ignorância, dizia: ela é muito pra mim. Ela tem emprego, tem até carro e ele? Nada! Vive de migalhas de um pai aposentado.

Após o balde de água fria que deu em si mesmo, decidiu colocar para funcionar aquele programa. Estava sem sono mesmo! O estranho é que o número de série que havia no produto dava erro na instalação. Começou procurar número de série “hackeados” mas não funcionou nenhum. Já tava indignado...o tempo passava e ele não achava solução – o que ela ia pensar dele?

Depois de um tempo ele se deu conta de uma coisa.. o último dígito do número de série que que havia na embalagem do CD não era 3..era um 8 quase apagado!

Gil colocou o número certo e pronto! Software sendo instalado!

- Uhuuuu eu sou bom mesmo!! Uhuuu Ana! Essa é para você!

Após a instalação ele brincou com muitas imagens, havia vários efeitos muito interessantes. Então ele se lembrou da estranha foto da luz, que estava toda escura com um único ponto luminoso. Apenas por curiosidade, colocou ela e começou a mudar filtros de cor, a dar zoom e testar as muitas opções que havia neste software.

De repente, algo aconteceu. Gil abriu a boca e arregalou os olhos. Sentiu um frio percorrer todo seu corpo. Agora a imagem apresentava o rosto de um velho que deveria estar quase na frente dele quando tirou a foto e outras duas batendo espadas - e era esse choque de espadas que gerava a luz que foi captada pelo seu celular!

Assombrado, Gil fez muitas perguntas a si mesmo. Afinal, o que era aquilo? Por que não apareceram na foto? Aliás, por que não eram visíveis? Eram fantasmas? Bruxos? Assombrações? Demônios? Anjos?

Eram três horas da madrugada e o sono não chegava. Gil observava minúcias da imagem. Mandou mensagens para o Marcão: - Cara descobri o mistério das luzes! - mas sem resposta! Gil estava em pé, andando de um lado para outro, coçando a pouca barba que nascia. Que loucura era aquilo?

Percebeu que aquele velho, em primeiro plano, parecia fazer pose para ser fotografado. Ou seja, ela esperava por isso! Meu deus do céu!!! Embora a aflição, o medo e a curiosidade fossem grandes, teve uma hora em que o sono venceu. Cansado, adormeceu com as luz do quarto acesa. Despertou com seu pai batendo na porta:

- Quer me levar à falência, moleque? Seu irresponsável! São quase meio-dia! Depois que sua mãe morreu você virou um merd*! Apague essa porr* dessas luzes!

Gil levantou assustado e gritou: Já vou. Foi ao banheiro, lavou o rosto e se olhava num espelho cujo canto inferior esquerdo estava quebrado - coisa do seu pai bêbado. Se olhava no espelho e se perguntava: aquilo da foto foi um sonho ou foi real? Foi correndo para o quarto, o computador já estava ligado e então reviu a foto. Meu deus...é real!

Ficou novamente andando de um lado para outro. Olhou as mensagens que enviou para os amigos e eles nem leram! Ficou um tempão pensando pra quem deveria ligar. Conclusão: pra ninguém!

Depois mandou uma mensagem para Ana só para dizer que ja esta tudo ok com o programa. Ela agradeceu e informou que não poderá ir na sexta, mas passará sábado após o almoço e poderiam sim tomar um sorvete juntos. Gil estava tão tenso que desligou o telefone sem se despedir e não se deu conta disso. Mas a Ana estranhou e não gostou.

Gil estava inquieto, andava de um lado para outro, colocava as mãos na cabeça...olhava novamente para a foto...e não queria acreditar no que via. Uma confusão de sentimentos e pensamento... até que seu pai gritou da cozinha:

- Para de enrolar e vem aprender a fazer um frango!

Para evitar confusões, lá foi o rapaz, ciente que seu pai vai lhe perturbar muito! E, para sua surpresa, seu pai o recebeu rindo e dizendo:

- Hoje eu vou te ensinar a fazer um frango com açúcar! Receita da sua mãe. Preste atenção. Não fica doce não!


Atônito, ele observava o pai. Uma cena rara. Embora não tivesse cabeça para aprender receita nova, ele gostou de estar ali conversando com seu pai. Por algum motivo, isso o acalmou e o fez esquecer a foto. Seu pai tem épocas que bebe muito e tem épocas que bebe menos. É uma oscilação difícil de saber. Mas, para sorte do Gil, parece que ele entrou na fase de beber menos!



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