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  • Rildo Moraes

LENDAS Parte 3 (11 a 14)

11. DECISÃO

Não entraram na pirâmide, como esperado, Arok o levou por caminhos longos e escuros na floresta, iluminados por pequenos raios de sol que transpassaram as densas copas das árvores. Chegaram em uma clareira onde havia uma pequena fogueira acesa. Sentaram-se em pedras próximas ao fogo. Gil tinha muitas dúvidas a perguntar: sobre kobak, quebra de potes, o Sebatião… foi quando Arok falou: “Existem verdades que não podem ser ditas, mas apenas sentidas. O que você viu e ouviu foi apenas para ter uma pequena sensação sobre um mundo além do convencional” – e concluiu com um belo sorriso, mas não foi um sorriso comum. Gil sentiu que sua própria alma sorria também. Sentiu que foi convidado a ingressar na Ordem dos Kirayas, e sabia que já estivera entre eles. Por alguns instantes, Gil sentiu-se um Kiraya.

Aquele senhor negro mais parecia uma divindade viva. Seu olhar e seu sorriso marcaram profundamente a decisão daquele jovem. No entanto, Gil viu também a tristeza e dor através dos olhos daquele ser e isto lhe perturbou. Era como uma mensagem que lhe dizia: “se aceitar, seu destino não será mais o mesmo”. Teve medo.

Percebendo isso, Arok-ta-Beish lhe explicou:

- Meu filho, você têm razão. A dor irá lhe acompanhar por muito tempo, mas não se engane se achas que ela irá acompanhá-lo apenas se for um Kiraya. Se você se transformar em um guerreiro, sua dor será causada pela luta honesta contra a raiz da sua própria ignorância. E por fim, poderá se deliciar com os frutos da autêntica Sabedoria - tão cósmica e milenar, como o próprio Deus. Mas, se declinar a esse convite, retornará como um jovem comum, que viverá uma vida comum, numa constante luta pela sobrevivência, sem nenhum sentido. participará de lutas sem códigos e sem nobreza. Viverá a alegria efêmera que sempre será substituída pelo medo do futuro. Não haverá tranqüilidade e assim, tentará se encher de coisas que sua sociedade produz. Tentará saciar o vazio do seu espírito com riquezas, bebidas, drogas ou sexo que trarão alegrias passageiras, mas que irão tirar-lhe mais do que lhe dar. Ou então, se embrenhará na leitura de livros sagrados, sempre tendo algum cego para guiá-lo e tornando-se exatamente o contrário daquilo que pregará. Ou viverá a busca de um sonho que jamais se realizará por completo. Lembre-se: ser um guerreiro ou não, têm algo em comum: é vida! Ser um guerreiro é para pessoas que anseiam por algo a mais e não ser um guerreiro é para pessoas que não necessitam (por hora) deste algo a mais, pois não aspiram anseios superiores.

Gil ouvia e, aflito, perguntou:

- Essa opção tem volta?

Arok-ta-Beish ficou calado, apenas mexia na fogueira com uma pequena vara. Já sem o característico sorriso, disse:

- Como lhe disse antes, você não é obrigado a optar em ser um Kiraya. Mesmo que queira, estará sujeito ao fracasso e uma forma de fracasso é a desistência. Ou seja, poderá desistir e assim terá o mesmo fim dos fracassados. Esse caminho é cheio de espinhos e serpentes. Se vencer a tudo isso, será motivo de glória para seu Espírito. Se cair, a divindade apenas perceberá que ainda não está na sua hora e calmamente, irá esperar pelos séculos vindouros na esperança que um dia você desperte.

- Não entendi direito, mas se eu optar por ser um Kiraya, quando começa o treinamento?

Arok deu uma leve risada e respondeu:

- Preocupe-se com isso apenas "se quiser ser um guerreiro"…

Repentinamente Gil se levantou e disse num tom forte que assustou até ele mesmo:

- Eu quero ser um guerreiro! Pois esse é meu destino, custe o que custar!

Gil, assustado, sentiu que uma voz no seu interior é que respondeu. E respondeu como um leão! Era algo mais além dele mesmo! Era o seu Ser. Ou alma, como dizem as pessoas comuns.

Os olhos de Arok-ta-Beish brilhavam. Ele se levantou, inclinou-se ao ouvido do Gil e lhe sussurrou:

- Seja bem-vindo de volta à sua casa!

Gl ficou de boca aberta e os olhos arregalados, admirando aquele Ser!

- Ao voltar para sua casa, procure alguém que tenha esse anel - dizia Arok-ta-Beish enquanto mostrava um anel com a estrela de cinco pontas, o que ele chamou de pentagrama.

- E se eu não achar?

- No momento certo, tenho certeza que encontrará.

- E os outros que estavam comigo? Já optaram? Onde estão?

- Estão indo para o avião, vá também - disse isso enquanto batia a palma das mãos, o que fez surgir um estranho, mas já conhecido personagem! Meu nobre Sebastião, por favor, leve esse jovem até o avião.

Se despediram com um olhar e um sorriso. E Arok completou:

- Sebastião é um gnomo. Ele parece antipático, um dia vai conhecê-lo e vai gostar dele.

Então Gil sorriu e seguiu-o até o avião e, no meio do caminho, Sebastião não respondeu nenhuma pergunta do rapaz! Gil pensou: “realmente, é antipático essa criatura!”

Luis Carlos e Cintia também estavam chegando agora, cada um vinha de uma direção diferente e também eram guiados por mensageiros. Sorriram ao se verem e em seguida embarcaram no avião, onde Neymaúde os aguardava com um olhar amoroso.

12. SONHO?

O avião partiu, deixando para trás muitos mistérios e perguntas.

O comentário a bordo era grande. Descobriram que todos optaram pelo treinamento e, em meio a tantas conversas, percebeu-se que todos estavam conversando com Arok-ta-Beish antes de virem para o avião - o que causou outro grande espanto em todos. Significa dizer que todos estavam simultaneamente com ele! O piloto explicou:

- Não se espantem, Arok-ta-Beish é um Niraya[14] e Nirayas não estão presos a formas físicas nem ao tempo. Ele tem o dom da ubiqüidade. Pode se fazer presente em vários lugares simultâneos. A algum tempo atrás, ele e Milarepa[15] estiveram aqui e nos concílios que ocorriam simultaneamente em vinte e dois lugares diferentes!

- Nossa! Isso parece inacreditável! Se é que alguma coisa pode, a partir de hoje, ser inacreditável! – exclamou Luis Carlos.

De forma muito agradável, Naymaúde sentenciou: As coisas continuam existindo mesmo que não acreditemos.

- Isso tem a ver com os poderes da mente? - aproveitou Gil para tirar uma dúvida que uma mulher lhe colocou na cabeça.

- A mente, no estado atual, é nossa inimiga. Nunca percebeu o número de problemas que a mente nos causa? Não é ela que fica imaginando problemas que não existem? Não é ela que não nos deixa concentrar, fazendo surgir centenas de pensamentos desnecessários? Não é ela que quer explicar as coisas espirituais sem ter competência para tal? Nós temos a mente como nosso único inimigo![16] Esqueça os poderes da mente - que até existem - e comece a pensar nos poderes do espírito.

Após responder outras perguntas, Naymaúde voltou sua atenção ao seu painel, virando seu banco para frente. Os passageiros comentavam as coisas que viram naquela comunidade. Falaram da fabricação de espadas de cristais, do treinamento de levitação, do círculo de cura, das aulas de plantas mágicas, dos estranhos golpes que faziam vasos quebrarem, das técnicas de reorganização energéticas etc. De repente, o piloto avisou a todos para segurarem-se, pois iriam passar rapidamente por uma turbulenta névoa negra.

Segundos depois, uma densa névoa negra tomou conta até do interior do avião. Assustados, todos se calaram e seguraram com firmeza nas poltronas. No escuro, alguém pôs a mão no ombro do Gil, assustado, ele virou-se e percebeu que a névoa tinha passado... Percebeu ainda que ele estava no saguão do aeroporto e a ANA estava lhe perguntando:

- Você vai mesmo para esse tal de Eirunepé?

Tudo retornou ao ponto inicial. Gil olhou para o saguão do aeroporto e, atônito, não conseguiu entender o que aconteceu. Ficou alguns minutos em silêncio. Como foi parar de volta ao aeroporto? Cadê o avião? Cadê o Luis Carlos e a Cynthia? Afinal, o que estava acontecendo? Assustado, disse para esperarem um pouco. Foi rapidamente até o guichê de vôos regionais e descobriu que estava fechado. Não havia ninguém nem para dar orientações. Descobriu também que não havia nenhuma passagem aérea em seu bolso, apenas o dinheiro! Aturdido, voltou para junto da sua equipe. Todos riram e comentaram que o calor de Manaus não tinha feito bem para aquele rapaz. Retornaram à Brasília, mas Gil voltou calado...ela não era mais o mesmo.

[14] A palavra significa "sem dualidade" - seres que estão além do bem e do mal.

[15] Grande mestre tibetano especialista em Kyan-pô. Conta-se que ele participou de 22 encontros, no mesmo dia e horário, em 22 cidades distintas. Famoso pelo dom da ubiqüidade. Santo Antônio de Pádua também realizava esse prodígio.

[16] Eis aqui o primeiro conselho do Kyan-pô: “você só tem um inimigo e um campo de batalha, a sua mente”.

13. PRECISO FALAR

Algus dias depois do ocorrido, Gil estava na casa do seu amigo Tucão. Um rapaz alto e magro, cabelos compridos e despenteados. Estavam no quarto bagunçado desse rapaz. Ele é um bom amigo. Amante da natureza, cachoeiras, maconha e do pouco estudo. Era a preguiça em forma de gente. Por outro lado, muito simpático e sempre alto astral.

Um assunto especial surgiu:

- Tucão, to ficando muito doido!

- O que “qui” tá rolando, Gil?

- Eu tenho que contar pra alguém! Cara, rolou um negócio muito, mas muito louco em Manaus! Eu não disse que ia para lá a serviço? Pois é, cara, aconteceu algo que não consigo entender...

Assim, Gil começa a narrar os acontecimentos que vivenciou (ou não?) em Manaus.

Tucão ouve enquanto enrola mais um cigarro de maconha. De vez em quando olha assustado, outras vezes, sorri. Quando Gil encerra a história, ele coça a rala barbicha e diz:

- Pô Gil, put* viagem! Tu tá doidão mesmo! Só tem um jeito de saber se isso é verdade ou uma viagem...

- Qual?

- Tu é meu “bróder”! Olha esse baseado que tenho aqui...é do bom...

- Pô Tucão! To te contando um negócio muito louco e você nem aí!! Tô numa agonia danada aqui, cara!

Tucão, que já estava “alto” fez uma curiosa reflexão:

- Pô irmão, tu já pensou que pode existir diferentes realidades e que tu pulou de uma para outra? Lembra a história do pai da Vanessa?

Vanessa é uma bonita jovem ruiva com sardas. Os três estudaram no mesmo colégio. Gil nunca foi muito amigo dela - e logo após a formatura a família dela mudou para São Paulo. Mas ele se lembra de uma estranha história que ela dizia ter acontecido com seu pai. Segunda ela, seu pai era um caixeiro viajante, um vendedor ambulante, na década de 1950. Caminhava pelo interior de Goiás vendendo diversos produtos que comprava em São Paulo. Certa noite, trilhando uma deserta estrada, achou uma casa e pediu pouso - já era tarde e não conseguiria chegar no vilarejo mais próximo. Foi bem recebido por um simpático casal de idosos. A casa era simples mas muito limpa e arrumada. No outro dia partiu cedo deixando como presente, um vaso com flores de plástico - novidade naquela região. Já havia caminhado quase uma hora quando conseguiu uma carona em uma carroça. Quando comentou o ocorrido ao condutor da carroça, houve um choque! O carroceiro, um rapaz jovem e simples não hesitou em dizer que aquilo só poderia ser um engano, pois a única casa naquela estrada era a de seus pais, que morreram a mais de 10 anos! E tal casa não existia mais, pois sofreu um incêndio causado por um raio a pouco mais de 2 anos! Gerou-se um mal estar entre os dois! Era claro que um dos dois estava mentindo!!!! Tomados pela necessidade de provarem suas histórias, retornaram a casa. Chegando lá, só havia escombros e um vaso de flor de plástico… intacta!!

Depois de percorrer a história mentalmente, Gil ficou ainda mais confuso… é possível existir outras realidades?

- Tucão, você tem o contato da Vanessa? Quero falar com o pai dela!

- Tenho não!

Sem saber o que fazer, decidiu sair. Quando estava quase saindo, voltou-se ao amigo e o alertou:

- Olha aí, Tucão, não fala disso para ninguém, ok?

Após uma gargalhada, Tucão respondeu:

- Porr* Gil, tu é meu “bróder” , não vou queimar teu filme! Agora, na boa, tu deve ter consumido algum cogumelo da floresta e nem me trouxe um! Magoei, meu "bróder"!

Ambos riram. Gil saiu pensativo. E agora, com quem falar? Tucão era a única pessoa que ficou tranquilo para contar (até porque, Tucão já é meio doido...). Qualquer outra pessoa pode querer interná-lo. No trabalho, nem ousou tocar nesse assunto. E a Vanessa, será que ela o entenderia? Mas faz tanto tempo que não se falam… nem sabe o contato dela. Pensou em falar com o Marcão, mas ele está mais fanático do que antes na sua igreja. O que fazer? Com quem falar?

Gil não sabia, mas os fatos estavam se desdobrando, sem ele saber.

14. SANTA MISSA

Os dias passaram e os acontecimentos em Manaus não saíam da sua cabeça. Era um sábado a tarde e ele estava absorto em seus pensamentos. Caminhando com sua namorada pela Feira da Torre - um bom lugar para comprar presentes. Ana procurava um presente para sua prima. Sem perceber o que ocorria, ela o indagou:

- Gostaria que me acompanhasse na missa dominical de amanhã. Faz parte da minha vida e eu quero compartilhar isso com você. Vamos?

Retornando de seus pensamentos, ele tenta situar-se:

- Como assim? Não entendi.

- Ah? Você tá na Lua? Caramba, fiz um convite para ir na missa e você fez pouco caso! Você sabe que é importante para mim, agora, se for muito difícil, esqueça!

- Você não está vendo que não estou bem??

- Não suporto isso em você! Não quero um moleque do meu lado, quero um homem!

- Desculpa! Desculpa! É claro que eu vou com você domingo na missa. Eu adoro missa! E prometo não falar mais bobagens!

- É bom mesmo! E nem me venha com esse papo que "adora missa" - já me falou que faz anos que não vai! E está bom por hoje, vamos embora. Sinceramente, depois dessa, não estou com pique para sair com você a noite, vou na minha prima!!! E espero te ver na missa amanhã, 8h, lá na Dom Bosco [17].

Ela deixou Gil em casa. O clima estava tenso. Gil subiu para seu apartamento ciente que, se faltar amanhã, a relação ficará muito, mas muito comprometida. Em casa, seu pai estava dormindo no sofá. Gil desligou a TV mas já sabia que era melhor não acordá-lo.

No outro dia, saiu logo cedo. Chegou 7:25 da manhã (ônibus no domingo nunca era fácil, melhor chegar cedo do que atrasado - filosofia do Gil). Em pouco tempo ela chegou e ficou muito feliz em vê-lo. Após um grande beijo ela disse:

- Vamos sentar lá na frente, disseram que teremos um convidado especial. A Igreja recebeu a visita de um monge beneditino e dizem que faz ótimos comentários ao final da missa. Quero ficar na frente para poder vê-lo de perto.

Assim fizeram: ficaram na segunda fileira.

Gil já tinha participado da catequese, mas por descordar de alguns pontos e questionar outros, se afastou da Igreja. Agora até se sentia feliz em retornar, para alegria de Ana.

A missa transcorreu normalmente. Ao final, o padre Antônio - um senhor de cabelos grisalhos, um pouco gordinho e de pele muito clara e levemente avermelhada, apresentou a todos o convidado do dia: o monge Mathias. Ele estava sentado atrás do altar, quase escondido. A pedido do padre, o monge foi ao microfone instalado no canto do altar. Ana ficou surpresa, pois o comentado monge Mathias não se parecia em nada com a imagem que ela tinha em mente. Ele possuía uma estatura mediana, parecia ser forte, calvo com cabelos curtos e grisalhos. Trajava uma túnica preta, típica da ordem beneditina.

Ao chegar até o microfone, ajustou-o a sua altura e com uma voz forte, fez a seguinte pergunta:

- Vocês sabem quem inventou Deus?

A igreja fez um incômodo silêncio. As pessoas entreolhavam-se e acomodavam-se em seus bancos. O padre Antônio aparentou um leve desconforto. ANA arregalou os olhos e virou-se para Gil. Ele, por sua vez, estava impressionado e curioso, afinal que resposta aquele monge daria a sua própria pergunta?

- O Homem - foi a resposta que o monge deu, depois de quase um minuto de silêncio. E o silêncio deu lugar a uma sussurrada expressão de espanto - Não, não estou falando do verdadeiro Deus. Estou me referindo a esses deuses que inventamos para nos ajudar, para arrumar emprego, para largar vícios, para trazer a pessoa querida, para trazer melhoras financeiras, etc. Confesso a vocês que eu também já criei um deus, um deus feito à minha imagem e semelhança, um Deus que eu pudesse comprar com meu dízimo ou cantando hinos de louvor, um Deus que gostasse muito de mim, que me protegesse e que lançasse meus inimigos ao inferno. Um Deus que morreu por mim, e assim me livrou de qualquer esforço para conseguir chegar ao Reino Celestial. Sim, eu também inventei um Deus. Quem de vocês nunca inventou um Deus?

Gil ficou assombrado com a verdade dita por aquele homem. ANA sentia-se incomodada, assim como muitos dos presentes.

E o monge continuou:

- Seguir leis e mandamentos para se chegar até ao Pai é fácil7. Não matar é fácil, basta que nosso ódio seja contido externamente enquanto mutilamos nosso inimigo dentro da nossa mente. É fácil não roubar, principalmente porque muitas atitudes não são consideradas como roubo, tal como ficar com o que não nos pertence, não devolver o troco a mais que o cobrador do ônibus nos deu, como não lembrar a mocinha do caixa do supermercado que ela não anotou a lata de ervilha, etc. Também é fácil não cometer falso testemunho, quando nosso silêncio por si só já compromete a outra pessoa. Também é fácil falar em amor ao próximo quando simplesmente damos dinheiro para nossa igreja e dizemos 'com isso estou contribuindo para que haja mais igrejas para o bem da humanidade'. Tudo isso é fácil, meus irmãos e irmãs, mas amar ao próximo é muito difícil. Por isso, achamos que isso não é importante, achamos que o importante são os 10 mandamentos. É esse o Deus que criamos... Pois ele aceita muito bem tudo isso, porque ele foi feito de acordo com nossas necessidades, ele está aí para nos ajudar e não para indicar uma longa e árdua caminhada. Por falar em Deus, não podemos esquecer o diabo. Aliás, bendito seja o diabo! Graças a ele podemos cometer uma série de bobagens e depois colocamos a culpa nele. Tão bom quanto inventar um Deus para nos ajudar, é inventar um diabo para o culpar! Pois bem, o Pai Celestial existe, o demônio também. Entretanto está na hora de tirarmos a sujeira da nossa vista e vê-los realmente tal como são, e não como queremos que sejam. Portanto, termino meu sermão com a seguinte orientação: busquem a Deus por amor e não por necessidade, pois quem é um necessitado apenas quer ajuda e isso é pouco para se chegar ao Pai Celestial. Isso é tudo o que tinha para lhes dizer. Obrigado e bom dia a todos.

O padre Antônio finalizou a missa, agradeceu as palavras do monge Mathias – sem ousar fazer algum comentário - e deu sua benção final.

Todos se levantaram para sair, ANA - mais tranqüila agora - queria encontrar com suas amigas que foram à secretaria da igreja. Gil disse que depois a encontraria, pois queria fazer uma pergunta ao monge. Ana alertou-o que ele é um monge muito esquisito!

Havia várias pessoas falando com o monge, tirando dúvidas ou criticando amistosamente (ou hipocritamente) seu sermão. Gil então percebeu que o monge tinha um anel com um pentagrama, a estrela de cinco pontas.

Seria esse monge um kiraya???

[17] Famosa igreja de Brasília por seus vitrais azuis. Fica na W3 Sul, no início da Asa Sul. Veja aqui


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